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Linhas de Pesquisa

Publicado: Segunda, 28 de Dezembro de 2020, 21h55 | Última atualização em Segunda, 28 de Dezembro de 2020, 21h55 | Acessos: 85

O Programa é constituído por três Linhas de Pesquisa, sendo que a partir deste ano de 2019, essas Linhas entraram em discussão para serem reformuladas e readequadas para figurarem em duas Linhas, processo que deverá ser concluído no ano de 2020.

Essas Linhas encontram-se conectadas com a área de concentração do PPGSCA consignada nos processos socioculturais da Amazônia. O PPGSCA assume o compromisso de formar pessoas (recursos humanos), capazes de pensar a Amazônia em sua diversidade cultural, envolvendo os modos de vida de sua gente, os processos econômicos e de disputas de territorialidade no amplo domínio das relações de poder, da fricção interétnica dos variados grupos indígenas com suas manifestações simbólicas e construção da cidadania e de sua pertença identitária, entre outras expressões que integram a chamada questão amazônica.

As três Linhas do Programa estão prospectadas da seguinte forma:

A Linha 1 intitulada Sistemas Simbólicos e Manifestações Socioculturais, tem contribuído significativamente para a formação de pessoas e para a pesquisa na Amazônia.

Linha 1 – Processos históricos e socioculturais, envolvendo sistemas simbólicos como linguagens, signos, estruturas lógicas, manifestações religiosas, artísticas e festivas, bem como as diferenças concernentes aos modos de pensar e interpretar o mundo. Interesses pela linguagem, artes, arquitetura, psicologia e antropologia que lidam com a formação dos sistemas de pensamento e dos diversos gêneros culturais.

A Linha é constituída por docentes oriundos das Ciências Humanas e Ciências da Saúde, de diferentes áreas como Filosofia, Antropologia, Artes, Letras e Educação Física, o que tem estimulado o debate interdisciplinar em torno dos estudos realizados no âmbito dos processos socioculturais na Amazônia, que é a área de concentração do PPGSCA. A cada ano esta Linha tem ofertado disciplinas envolvendo as seguintes temáticas: estudos culturais; a cidade e o urbano; corpo, cultura e sociedade; contribuições do pensamento dissidente para as questões amazônicas; as sombras e os estudos da África.

Todos os professores desta Linha realizaram orientação de mestrado ou doutorado (remanescentes) em temas como: festa de santo, trabalho, cultura e subjetividade, folclore e cultura popular, ações de viajantes na Amazônia; movimento artístico, designer indígena, representações indígenas na cultura popular; patrimônio histórico, memórias e práticas lúdicas, gênero e práticas sociais das mulheres da floresta, cidade e transformações urbanas; mitos e narrativas selvagens, sexualidades, dentre outros temas. Merece destaque nesta Linha o projeto de pesquisa intitulado “Entrelaçamento entre gênero, agroecologia e transferência de tecnologia em cinco comunidades do Baixo Amazonas (Parintins e Maués): manejo e produção de alimentos pelas mulheres da floresta e das águas”, coordenado pela docente Iraildes Caldas Torres, com a participação de outros professores da Linha, alunos e egressos. A pesquisa é financiada pela FAPEAM – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Edital Universal), verifica os tipos de tecnologias sociais existentes nas comunidades tradicionais do Amazonas, entrelaçadas à simbologia de gênero no contexto da agroecologia e de sítios arqueológicos. Trata-se de uma pesquisa desenvolvida por uma rede de pesquisadores de três instituições, a saber: Universidade Federal do Amazonas, Universidade do Estado do Amazonas e Instituto Federal do Amazonas.

A Linha 2 intitulada “Redes, Processos e Formas de Conhecimentos” é composta por professores das Ciências Humanas e da Ciência da Saúde, envolvendo várias disciplinas como a Antropologia, Sociologia, Geografia, Filosofia, Comunicação Social, Serviço Social e Educação Física.

Linha 2 – Processos socioculturais envolvendo redes pelas quais se ligam atores e instituições sociais na Amazônia. Processos de formação de territórios e desterritorializações envolvendo modos de existência de indivíduos e grupo humanos, considerando-se as suas inter-relações e as relações estabelecidas com o Estado e outras entidades. A investigação da comunicação, dos mecanismos da cultura e das políticas de integração. A produção do conhecimento, a organização e práticas institucionais, constituição de domínios espaciais, virtuais, fixos ou móveis e princípios de objetivação subjetivação social e cultural.

Há um elenco de disciplinas ofertadas por esta Linha, tais como: Processo civilizador e Práticas Socioculturais em Comunidades Amazônicas; A Imprensa como objeto de pesquisa das Ciências Sociais; Pensamento Social Brasileiro; Teoria Social; Imaginário.

Merece destaque na Linha 2 o desenvolvimento do projeto de pesquisa denominado Nova Cartografia Social da Amazônia, financiado pela Fundação Ford, que tem permitido ao PPGSCA alcançar uma dimensão cosmopolita do conhecimento, abrangendo países da Pan-Amazônia e da América Central, tendo por base as pesquisas realizadas. Este empreendimento executa mapeamento social na região afetada pelo Gram Canal Interoceânico, atualmente em construção. Outras atividades deste projeto desenvolvidas em território brasileiro envolvem pesquisas hidrelétricas na bacia do Tapajós e do Madeira. Esta é, também, uma pesquisa realizada por uma rede de pesquisadores envolvendo instituições como a UFAM, Universidade do Estado do Amazonas, Universidade do Estado do Maranhão e outras. A relevância deste tipo de trabalho põe, o PPGSCA, coadunado com questões que hoje caracterizam os grandes empreendimentos na América Central e do Sul. Outras pesquisas desta Linha são aquelas que discutem processos civilizatórios; processos comunicacionais e formação do pensamento social. Os temas mais recorrentes nas pesquisas orientadas assinalam os processos de território e territorialidade, educação indígena, processos étnico-identitários, sistemas de transporte, migração judaica no Amazonas, as elites e o poder, usos sociais e culturais do dirijo (maconha); educação e saberes tradicionais; os quilombolas em luta pelos seus territórios; os modos de vida das comunidades rurais; as formas de organização política das comunidades tradicionais da Amazônia profunda e seus etno-saberes.

A Linha 3 intitulada “Processos Sociais, Ambientais e Relações de Poder”, é composta por professores das Ciências Sociais e Ciências Exatas, de campos do saber como: História, Serviço Social e Engenharia Civil.

Linha 3 – Formas de poder utilizadas ao longo dos processos que determinaram a constituição dos diversos modos de protagonismo político e de resistência social, cultural e ambiental dos sujeitos coletivos na Amazônia; políticas públicas e trajetórias institucionais, problemas de ordem filosófica, sociológica, política e jurídica; história e funcionamento das instituições; as relações macro e microfísicas do poder - relações internacionais, relações de gênero, lutas contra as formas de exclusão e pelo reconhecimento de direitos e garantias individuais e coletivas.

Esta Linha vinha aos poucos enfrentando problemas de esvaziamento que seja porque alguns professores solicitaram aposentadoria ou porque seus programas de pós-graduação iniciaram o curso de doutorado. Por este motivo, esta Linha está passando por um processo de revisão e extinção. Em 2019 alguns professores ainda ofereceram disciplinas, tais como: Questão Ambiental Urbana na Amazônia; Ateliê de Projeto de Pesquisa; Mundo do Trabalho; Políticas Indígenas e Indigenista, dentre outras.

No que diz respeito às pesquisas desenvolvidas pelos professores dessa Linha destacam-se: Saberes nativos e ciência: os colaboradores da Viagem Filosófica e a circulação de saberes em espaços atlânticos (1783-1792), coordenado pela professora Patrícia Maria Alves Melo, que é Bolsista Produtividade junto ao CNPq.

Outra pesquisa inserida nesta Linha é sobre as religiões de matrizes africadas intitulada “Que Terreiro é Esse?”. Versa sobre o mapeamento de comunidades tradicionais de terreiros, remetendo para o reconhecimento da diversidade religiosa, na medida em que boa parte das instituições educacionais continuam a silenciar-se diante de situações de discriminação de grupos étnico-raciais e de matrizes religiosas africanas. Outras pesquisas desta Linha são: Vozes ocultadas e vozes insurgentes em ambientes pesqueiros, coordenada pela professora Elenise Faria Sherer, que é Bolsista Produtividade; Desigualdades Desmedidas na Amazônia: Vozes das mulheres no trabalho, na resistência e na insurgência em busca de direitos sociais, também Bolsa Produtividade.

Os temas orientados nesta Linha estão circunscrita às condições de vida na fronteira, questão da terra, estudos sobre a pesca artesanal, os significados do trabalho; trabalho e relações de trabalho; mundos indígenas; lutas contra as formas de exclusão e pelo reconhecimento de direitos e garantias individuais e coletivas; os pescadores e pescadoras, os movimentos LGBT, a questão ambiental urbana e os resíduos sólidos.

No que se refere à arquitetura teórica o PPGSCA tem privilegiado a tessitura dialógica do pensamento ocidental com as diversas formas de percepção da realidade, no campo da complexidade, com diferentes metodologias dentre as quais a etnografia, a cartografia social e a oralidade que tem por base os saberes tradicionais.

Deve-se reconhecer que a consciência mítica torna a região uma das principais referências na geografia dos mitos na América. Historicamente o PPGSCA lançou seus raios de estudo em duas regiões mais rica de mitos da América do Sul, como atesta Koch-Grumberg em relação ao Alto Solimões. A mesorregião do

Alto Solimões aparece nos estudos de Lèvi-Strauss (O Pensamento Selvagem) como uma das regiões mais ricas em temas da tradição mítica da América, fato que o levou a chamar a Amazônia de uma planície de mitos. O diálogo tem sido permanente entre docentes e discentes, tanto na formação envolvendo disciplinas ministradas individualmente ou compartilhadas com docentes das três Linhas de Pesquisa do Programa, como também nas qualificações e defesas de mestrado e doutorado, momento em que se tem a possibilidade de debater os temas de pesquisa com base em diferentes perspectivas teóricas e, ao mesmo tempo, estabelecer pontos de contato entre as ciências. Os temas estudados estão circunscritos a uma vasta bibliografia no campo das ciências humanas e sociais, com autores atuais e contemporâneos. Os docentes utilizam essa bibliografia na formação acadêmica distribuída em quatro disciplinas obrigatórias e três disciplinas eletivas, com carga horária que varia de 45h e 60h para o mestrado, e 30h, 45h e 60h no caso do doutorado (turma final).

O debate sobre a interdisciplinariedade tem sido feito no contexto das matérias ministradas, sobretudo as disciplinas obrigatórias, tais como: Formação do Pensamento Social da Amazônia; Epistemologia e Metodologia das Ciências Sociais, Seminário de Pesquisa 1 e 2; Seminário de Tese; Seminários Temáticos dentre outras. São matérias ministradas por três professores, sendo, pois, um desafio à centralidade de campos disciplinares com perspectivas e olhares múltiplos. Esta é a condição básica que orienta o PPGSCA com o foco sobre processos socioculturais na região.

O processo de credenciamento e descredenciamento de professores é regido por uma resolução interna do Programa, debatida amplamente e aprovada pelo colegiado, a qual estabelece critérios que obedecem aos parâmetros exigidos pela legislação vigente e ao documento da área interdisciplinar, a saber: que disponha no mínimo de 15 horas de trabalho ao Programa, que se disponha a ministrar aula, orientar estudante, e estar inserido em projeto de pesquisa (Ver termo de compromisso, professor Alfredo Wagner

Berno de Almeida, Anexo 6). Aqueles docentes que não se enquadrarem nesses critérios deveriam solicitar o seu descredenciamento, fato que ocorreu em 2019 com alguns docentes que solicitaram seu descredenciamento, outros continuaram no Programa como colaboradores. Alguns docentes colaboradores solicitaram sua saída do Programa em razão de estarem colaborando com outros programas, o que ocorreu em 2019, no contexto de reestruturação do PPGSCA. Um docente veio a óbito no final de 2019 nos deixando precocemente. O credenciamento de docentes ocorrerá no ano de 2020, conforme o planejamento do Programa, depois que encerrarmos o processo de reestruturação do PPGSCA, será feito por meio de edital em consonância com os critérios contidos na Resolução de Credenciamento e Descredenciamento de Docente.

Os professores têm submetido projetos aos editais de fomento e obtiveram aprovação e, salvo um ou outro que não é coordenador, todos estão inseridos em projetos com ênfase em rede de pesquisadores. Isto permite incluir seus orientandos nos projetos, posto que tais projetos estão relacionados com a Linha do Programa no qual o professor se filia. Uma outra situação articuladora das Linhas de Pesquisa do PPGSCA é que os professores organizam eventos que propiciam aos discentes da graduação, da pós-graduação junto com os professores, a oportunidade de discussão dos trabalhos em andamento, envolvendo a participação de pesquisadores de outras instituições. Ocorreu, em 2019, o Encontro sobre Processo Civilizador, organizado pelo grupo de pesquisa do professor Gláucio Campos; o EPPPAC – Encontro de Políticas Públicas para a PanAmazônia e Caribe, coordenado pela professora Heloisa Helena Corrêa da Silva; o EMFLOR – Encontro de Estudo sobre Mulheres da Floresta coordenado pela professora Iraildes Caldas Torres; Jornada Acadêmica coordenada pelo professor Alfredo Wagner Berno de Almeida; Seminário Intercultural, Simpósio de Lutas Corporais Indígenas; Seminário de História e Cultura dos Povos Indígenas e Exposição de Artefatos Indígenas, coordenados pela professora Artemis de Araújo Soares dentre outros eventos. Esses eventos tem contribuído para divulgar as pesquisas realizadas por discentes, docentes, egressos do PPGSCA, assim como as atividades do PROCAD e aula inaugural de cada início de ano que buscam dar ênfase à interdisciplinaridade e aos processos socioculturais da Amazônia. Há um professor aposentado que não ministra aula na graduação e um professor que, por razão de Licença para acompanhar mãe idosa em outro Estado da Federação que não ministrou aula na graduação em 2019.

Deve-se reconhecer, por fim, que o Programa tem relevância social no campo da pesquisa centrada nas questões amazônicas, contando nesse quadriênio com a premiação nacional de uma tese de doutorado. A tese de Jonas da Silva Gomes Júnior intitulada “ONGs Transnacionais e os Sentidos de Sustentabilidade Amazônica: imaginários, discurso e poder”, recebeu o Prêmio Celso Furtado, em 2017 (ver cerimonia-dopremio-celso-furtado-de-desenvolvimento-regional). Em 2019 a tese de doutorado de Cinthya Martins Jardim intitulada “Do Rural ao Urbano: abordagens sobre as mudanças nos padrões alimentares de moradores de áreas de assentamentos rurais do Amazonas”, orientada pelo professor José Aldemir de Oliveira, recebeu o prêmio de melhor tese conferido pela Pro-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Amazonas. O prêmio de melhor dissertação de mestrado conferido neste mesmo ano pela PROPESP/UFAM coube à Priscila Rocha Santos com a dissertação intitulada “Impacto Intercultural na Saúde Bucal em Indígenas de Recente Contato no Vale do Rio Javari”, orientada pela professora Heloisa Helena Corrêa da Silva.

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