AS INFÂNCIAS E O BRINCAR NO CONTEXTO ESCOLAR: Alguns contrastes entre a cultura lúdica e as práticas pedagógicas.

 

AS INFÂNCIAS E O BRINCAR NO CONTEXTO ESCOLAR: Alguns contrastes entre a cultura lúdica e as práticas pedagógicas.

 

Autor(a): Priscilla Lima da Silva.

Orientador(a): Prof. Dr. João Luiz da Costa Barros.

 

Resumo: Investigar como as crianças vivem e constroem suas culturas de infância na escola a partir do brincar, buscando compreender de que modo os professores estabelecem suas práticas pedagógicas nessas relações sociais e culturais.

Esta investigação compreende os estudos sobre a criança como um mosaico teórico construído historicamente para compreender e disciplinar a criança, no qual é possível encontrar ecos das teorias e conjecturas construídas no passado que, relativo ao aspecto imaginativo da criança, fornece informações de que a modernidade foi capaz de subtrair a imaginação criadora e seus espaços de participação, na medida em que terminou por submetê-la aos dispositivos de controle dos adultos e a um programa disciplinar rígido e sufocante, no seu ritmo cotidiano escolar.
Tais verdades sobre a criança e sua infância se repetem, no entanto, têm se transformado, pois a partir da compreensão dos arquitetos da Sociologia da Infância, dentre eles Allison James e Alan Prout, 2003/2004; Corsaro,1997; Delgado e Müller, 2005; Manson 2001; Pinto e Sarmento, 1999; Saramago, 2000; Wajskop, 1999, a criança tem assumido, nas produções científicas atualmente, o papel de sujeito nesses espaços, e fortalecendo o espaço de protagonista nas construções socioculturais, tanto entre seus pares quanto nas relações geracionais, bem como na autodeterminação e na alteridade ou mesmo no que se considera dá voz à esta criança.
Partindo desses pressupostos, esta pesquisa organiza-se a partir de três temas: O conceito de criança e infância e sua relação com o brincar; O brincar na infância nos espaços escolares; O brincar enquanto práticas pedagógicas.
Partindo desses eixos de análise, esta pesquisa objetivou analisar a construção das relações que se estabelecem entre a produção da cultura lúdica e as práticas pedagógicas elaboradas pelos professores, buscando compreender as concepções de infância, brincar e a escola.
E para que este objetivo possa ser alcançado estabeleceram-se quatro objetivos específicos cujos conteúdos versavam sobre a identificação das concepções do professor sobre a infância nos aspectos escolares; a identificação das relações sociais e educativas das crianças na escola através de suas brincadeiras; o levantamento da produção acadêmica sobre a infância na sociedade contemporânea; bem como a identificação das brincadeiras mais utilizadas na escola.
A pesquisa teve como lócus a Escola Municipal Vila da Felicidade, cuja localização peculiar, na Zona Leste da Cidade de Manaus, no Bairro do Mauazinho, próximo ao Porto da Ceasa, possibilita a analise de diferentes manifestações infantis tendo em vista essa localização geográfica da comunidade onde a escola se encontra permitir uma intima relação com o Rio Solimões e com as comunidades situadas na outra margem, essa relação também está presente no tecido da sala de aula, pois há alunos que moram na Comunidade do Catalão, e que todos os dias cruzam o Rio para estudar e partilhar suas vivencias, histórias e infâncias com as crianças da outra margem do rio.
Os sujeitos observáveis da pesquisa foram as crianças, totalizada em 147 alunos da escola, e os respectivos professores destas crianças, tanto as crianças quantos os professores foram considerados como sujeitos coletivos. O método consistiu na observação participante dos tempos e espaços de lazer, com o registro etnográfico em caderno de campo. Com os professores foram realizadas sessões de formação e debate a fim de que os mesmos possam discutir temas como a escola enquanto espaço para brincadeiras; o brincar enquanto estratégia educacional e as vivências das brincadeiras entre crianças e professores.
O pátio, enquanto espaço para observação dos momentos de lazer das crianças da escola, não fornecia as condições materiais desejáveis para o desenvolvimento de atividade lúdicas, jogos e brincadeiras, mais elaboradas, e, por isso, foram registradas apenas 05 (cinco) tipos de brincadeiras: a brincadeira de polícia e ladrão, o jogo de futebol, as manjas variadas, cemitério e o jogo de casinha, o qual se desenvolve a partir da produção do imaginário da criança ao brincar.

Pelas argumentações apresentadas pôde-se deduzir várias formas de compreensão sobre a capacidade de brincar que tendem para a sua naturalização, na medida em que o professor não mencionam – de modo mais preciso – qual papel deveriam assumir em relação a sua constituição e desenvolvimento.
Observou-se que todos os elementos empíricos de que se dispõe induzem a concluir que as sessões tiveram pouco, ou possivelmente nenhum, impacto sobre os modos como, corriqueiramente, o professor analisa a inclusão de atividades lúdicas no cotidiano escolar, foi possível compreender que, apesar da compreensão acadêmico-científica dos professores sobre o brincar, as suas representações sobre o trabalho pedagógico, classicamente ligadas à priorização de atividades de leitura, escrita e cálculo, investimentos sistemáticos em produções nos cadernos escolares, envio regular de tarefas para casa, avaliações da aprendizagem formalizadas em boletins, as quais se configuram enquanto exigência do sistema de ensino e dos pais e/ou responsáveis tem dificultado a flexibilização da prática pedagógica em torno da ludicidade e valorização das culturas infantis.
Enfatizar as inter-relações entre a cultura e cognição, o imbricamento entre os processos socioculturais colocados em ação no brincar e os exigidos nas práticas de produção de narrativas, no processo de elaboração de conceitos científicos, pode se configurar uma estratégia promissora para aproximar os familiares de uma posição mais consciente sobre a importância destas inovações na cultura escolar.
Certamente, também, não cabe ao professor elaborar estes argumentos num trabalho solitário. Entende-se que todos, comprometidos com a construção de uma infância e de uma escola de qualidade, devem estar implicados neste processo, sobretudo no que se refere à proposição do tema nos espaços de formação docente.


Palavras-chave: Brincar, infâncias, sociologia da infância, ressignificação cultural.

 

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